Considerações sobre o artigo "RTSCup Project: Challenges and Benchmarks"
O artigo "RTSCup Project: Challenges and Benchmarks", apresentado no SBGAMES 2007 [1], apresenta o projeto RTSCup, um simulador de jogos RTS.
O artigo inicia dizendo que existe uma “moda” em usar ambientes de simulação como benchmarks que habilitam a avaliação desses sistemas em diferentes cenários de testes. O RTSCup, por sua vez, se encaixa nesse grupo de ferramentas para avaliação de diversas técnicas de inteligência artificial para implementação de times como sistemas multiagentes.
Após isso, o artigo justifica o uso de RTS como sistemas multiagentes por serem atraentes do ponto de vista da inteligência artificial, principalmente por que o time deve considerar:
- O ambiente do jogo;
- A limitação de percepção dos jogadores através da neblina de guerra;
- Raciocínio sobre personagens com diferentes funções.
Além disso:
- cada agente possui informação incompleta sobre o problema;
- não existe um sistema de controle global;
- os dados são descentralizados;
- a computação é assíncrona
No artigo também é citado que o uso de benchmarks não é recomendado para avaliação de sistemas de múltiplos agentes, mas justifica o uso de simuladores de RTS como úteis para avaliação de técnicas de IA e novos algoritmos. Também comenta sobre a competição RoboCup Rescue.
Sobre as vantagens do uso de RTS como benchmarks, se destacam a necessidade de uma inteligência capaz de encontrar caminhos, patrulhar, alocar recursos, prever ações, coordenar tarefas e o processo de tomada de decisões táticas e estratégicas.
Depois, o artigo apresenta os simuladores e competições principais, avalia seus pontos fortes e fracos e, com isso, justifica a criação do projeto RTSCup como alternativa aos existentes.
A partir daí, é apresentado o projeto, sua arquitetura e tudo o mais. São apresentados os diversos simuladores comuns a jogos RTS. Apesar de o artigo dizer que todos os times em um jogo RTS possuem uma religião, isso não é bem verdade, pois em jogos como Command & Conquer, esse fator não está presente.
A arquitetura do RTSCup parece ser interessante e flexível e, provavelmente, é escalável, constituindo um bom projeto. Da maneira como foi implementado, os clientes podem ser escritos em qualquer linguagem, dando grande flexibilidade aos pesquisadores. Os jogos também possuem características parametrizadas, facilitando a criação de novos ambientes de simulação.
Perguntas sem respostas
- Apesar de apresentar deméritos dos outros sistemas de RTS, esse artigo não apresenta quão bem o RTSCup se compara aos outros;
- O artigo fala muito pouco sobre como o RTSCup pode ser usado e fala pouco sobre sua interface de programação;
- Também não deixa claro qual o nível de granularidade usado para programar um agente do ambiente.
Notas
[1] O SBGAMES é um simpósio brasileiro e os autores do artigo também são. Ainda assim, o artigo foi escrito em um “inglês” que poderia ser melhor escrito do que efetivamente foi. Isso prejudicou em muito minha leitura, pois ela não fluiu de maneira suave - outro artigo que sofre do mesmo problema é o “RTSAI: a game tool for IA research”, que terminarei de ler caso tenha paciência para suportá-lo