Sobre minha ingenuidade e a Google

A motivação desde artigo advém de um comentário de Casdeiro no artigo “Trevas, trevas por toda parte“. Àqueles não acostumados às minhas gírias, espero que tenha ficado claro que “ser gente boa” não é necessariamente equivalente a “ser a gente boa”.

Sobre a Google, essa é uma grande empresa e, por ser uma empresa, é necessário que para sua própria sobrevivência ela olhe seus interesses próprios, ainda que isso não justifique uma atitude de imposição de seus interesses sobre uma determinada comunidade. E, sendo uma grande empresa, é difícil não encontrar pontos (ou opiniões) contraditórias em suas atitudes. No entanto, eu ainda considero a Google “gente boa”.

Por favor compreendam minha realidade: sou um estudante de Engenharia de Computação e, de quebra, ajudo a desenvolver (sou desenvolvedor fajuto, reconheço, mas ao menos tento fazer minha parte) de uma distribuição do GNOME para o Slackware. Conseqüentemente, estou inserido no cenário do Software Livre e, como tal, vejo iniciativas ótimas da Google, como:

  • Summer of Code, que beneficia estudantes e desenvolvedores de Software Livre;
  • APIs abertas e bem documentadas provendo serviços gratuitamente a quem quiser;
  • Uso de padrões bem estabelecidos, ao invés da criação de padrões proprietários;
  • Criação de inúmeros serviços “gratuitos” e de qualidade (a gratuidade é paga com publicidade, nada mais justo)
  • E algumas outras, das quais não me lembro agora…

Eu não vi outra empresa fazer tanto pela comunidade do Software Livre ou qualquer outra comunidade (corrijam-me se estiver enganado) quanto a Google, portanto prefiro continuar ingênuo e acreditando que essas coisas são boas. É claro que aquele comentário me colocou a questionar meu ponto de vista, mas ainda o considero correto.
Posto isso, devo lembrar que lutar pela liberdade da internet (e a liberdade, de um modo geral) também é algo bom (mesmo se considerarmos interesses interesseiros) e aceitável. Parece que minha ingenuidade tem raízes na fala de que a Google é gente boa, desconhecendo eu o posicionamento “hipócrita” da Google quando tratando de seus negócios nos EUA e na China (”Pelo visto, só interessa à Google a censura que permite ampliar seu mercado, não a que o reduz”). A Google possui seus argumentos em sua defesa. Os acusadores possuem seus argumentos contra e assim caminha a humanidade.

Como dito anteriormente, a Google é grande e, como tal, corre o grande perigo de se tornar contraditória. De modo algum estou defendendo as atitudes tomadas por essa empresa, mas espero ter deixado claro que, para mim, achar a Google “gente boa” não é devido a uma “ingenuidade terrível”, mas sim por achar que existe um papel social sendo cumprido por essa empresa que não vejo outras fazendo. Talvez elas sejam altruístas e não desejem publicidade. Eu não sei, ouça os dois lados da história e escolha o seu. É o melhor a fazer.

Uma resposta para

  1. Gravatar Casdeiro diz:

    Obrigado pelas explicaçoes, ainda que nao as comparto. No referente às de Google (obrigado pelo link) sao sinxelamente lamentáveis. Melhor terem calado que se revelarem tan cínicos… Frase coma a de:

    We also considered the amount of information that would be omitted. In this case it is less than two percent of Chinese news sources. On balance we believe that having a service with links that work and omits a fractional number is better than having a service that is not available at all.

    Sao arrepiantes!!! Essa é unma defensa? Nem os seus piores inimigos podiam ter falado duma forma máis reveladora!!

    Esta é a filosofía por tras desa gente boa da que você fala? Uf… como será daquela a gente má!! :-O

    Está claro que para eles perder ese negocio estava por diante da defensa da liberdade de expressao e duma Internet livre.

    Sumam cinismo à sua hipocresia!

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